A Paróquia - História e suas Comunidades atuais

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A Matriz de Nossa Senhora do Pilar

A mais antiga referência documental da existência da igreja, segundo o pesquisador Bráulio Carsalade, foi encontrada no CMS 05-1726/1730¹, em que aparecem requerendo, em 22 de abril de 1727, Carta da Data, o Reverendo Pe. Manoel Pinheiro de Oliveira e seus sócios Manoel Pires Sardinha e Manuel Silvério Xará, uma faisqueira descoberta no Ribeirão das Congonhas (hoje conhecido como Ribeirão do Cardoso). Era o reverendo referido como vigário. Esta condição pode ser constatada também em inventários posteriores.

Segundo o Cônego Raimundo Trindade, a freguesia de Nossa Senhora do Pilar “é de instituição episcopal de 1748”. Até aquela data, Congonhas do Sabará, Rio das Pedras, Rio Acima e Arraial Velho eram subordinadas, dentro da hierarquia eclesiástica, à igreja de Nossa Senhora da Conceição de Raposos.

O Pe. Jerônimo de Sá Vilhena, empossado em 1752, solicitou a D. Maria I o envio de recursos para que fossem realizadas obras de ampliação do templo. A resposta demorou a ser dada. Em 1777, através da Resolução de 29 de agosto, D. Maria I determinou que a Junta da Administração da Real Fazenda da Capitania de Minas Gerais arcasse com os encargos de tais obras. No entanto, a burocracia ou a falta de recursos impedia o cumprimento da ordem Régia, como podemos verificar neste ofício enviado à referida junta, pelo Marquês de Ageja, datado de 17 de novembro de 1789.

Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar “Faço saber à junta de Administração da Real Fazenda da Capitania de Minas Gerais que a Rainha minha Senhora foi servida por sua Real resolução de 29 de agosto de 1777, incerta em provisão da mesa da consciência e ordens de 14 de novembro do mesmo ano, que se fizesse o retábulo e a sacristia paroquial de Nossa Senhora do Pilar das Congonhas de Sabará. Pelo que esta junta da Fazenda mandará fazer a toda obra mencionada na referida provisão, fazendo, porém, todos os exames e averiguações necessárias para o acerto e zelo da economia da dita obra: de que dará conta a este Real Erário de tudo que orar a esse respeito. Joaquim Inácio Ferreira a fez, em Lisboa, aos 17 de novembro de 1784.”

Referente à mesma resolução da Rainha, encontra-se no Livro 1º. das Provisões de Minas Gerais (1766-1794) outra ordem Régia determinando o cumprimento da anterior. Na portada principal da atual matriz está gravada a data de 1766, numa alusão ao ano em que se iniciaram as obras de construção do templo. Esta referência, no entanto, pode levar ao erro, uma vez que a existência dessa igreja é de data bem anterior.

Documentações arquivísticas de 1773/1774 acusam que naquela data o edifício encontrava-se em ruínas. Sua substituição por outro templo ocorreu em fins do século XVIII, época em que a povoação já se encontrava definitivamente estabilizada, inclusive pela maior incrementação das atividades comerciais.

A nova edificação apresentava a composição singela dos frontispícios das capelas, acrescida de duas torres laterais cobertas com telhados piramidais. Abaixo do frontão triangular simples, encontrava-se a porta única de entrada, encimada por três janelas, situadas na altura do coro. Tudo de acordo com a tipologia austera e rígida utilizada nas construções da época.

Em 14 de julho de 1832, através do Decreto Regencial, a paróquia de Nossa Senhora do Pilar das Congonhas foi novamente anexada à de Raposos. A população local não aceitou o rebaixamento de sua paróquia e, muito menos, sua subordinação à paróquia vizinha. Como consequência dos protestos, a anexação não foi concluída, e, em 8 de abril de 1836, a Assembléia baixou a lei de nº 750, garantindo a independência das duas paróquias.

A igreja foi demolida no final do século XIX, e, em seu lugar, se ergueu a nova matriz, com as obras tendo início no começo do século XX. Em 1910, a talha da Jaguara foi doada para a matriz pelo então diretor da Mina de Morro Velho, George Chalmers. O coronel Augusto de Magalhães, que era pessoa de grande carisma e respeito dentro da comunidade local, ficou incumbido da difícil tarefa de desmontar, transportar e remontar o precioso conjunto ornamental. Zoroastro Passos assim se referiu a esse episódio:

Não me quero deter mais em repetir todo o malabarismo de inteligência e todos os detalhes de boa vontade que se empregaram neste mister, que tinha a dirigi-lo um grande caráter, um grande coração e a força de bem querer e de bem fazer.

Iniciou-se então a reforma da igreja, visando adaptá-la para o recebimento das peças vindas da Jaguara, cujas obras duraram de 1910 até 1926. Nesse ano, toda a talha já se encontrava inserida no templo. Essa afirmação baseia-se em cartas trocadas entre o Cel. Augusto Magalhães e Mr. George Chalmers.

Venho agradecer-lhe, muito penhorado, as photographias da igreja mostrando já instalados os torneados que vieram da Jaguara. As photographias dão a impressão de que o serviço ficou muito bonito, devendo a igreja representar, ao que me parece, uma casa ideal de oração para Nova Lima (carta de George Chalmers ao Cel. Augusto Magalhães).

Estimei deveras a certeza que me trouxe vossa prezada carta de 10 do corrente, hoje recebida, de que vos agradaram as photografias demonstrando a colocação das peças que pertenceram à Igreja da Fazenda da Jaguara, tão benevolamente doada por Vsa. Excia à Matriz de Nova Lima (carta do Cel. Augusto de Magalhães a George Chalmers em resposta a carta anterior).

Em 1948, o Padre José Campos Taitson, vigário da Paróquia de Nova Lima, solicitou ao Phan² auxílio técnico para a realização de obras de remodelação interna na igreja. Basicamente, tratava-se da remoção de dois altares novos que se situavam nas capelas laterais, onde hoje se encontram os altares laterais da Jaguara, remoção do verniz que se achava aplicado sobre o retábulos do altar-mor e a transferência da grade que fora colocada ao longo do corpo da igreja.

A pedido de Rodrigo Melo Franco de Andrade, o arquiteto Sylvio de Vasconcellos, na época chefe do 3.º Distrito do Phan, fez uma visita a Nova Lima para avaliar a situação proposta. Como resultado, recomendou que, além das modificações acima citadas, fossem também remanejados os púlpitos para junto do arco cruzeiro e que o gradil fosse aproveitado, respeitando a sua forma curva, porém mais próximo do transepto.

Quanto aos altares oriundos da Jaguara, que se encontravam paralelos ao eixo longitudinal da igreja, próximos ao arco cruzeiro, a sugestão dada foi a sua transferência para as laterais do arco cruzeiro juntos à capela-mor, voltados para as naves laterais. A Divisão de Estudos e Tombamentos, por intermédio do arquiteto Lúcio Costa, opinou favoravelmente às reformas pretendidas e propôs que os antigos altares da matriz fossem colocados nas capelas laterais, no local onde se encontravam os altares novos, e que fossem desmontados, uma vez que não tinham qualquer valor artístico.
Em junho de 1956, foram inauguradas as obras de remodelação do templo, administradas pelo padre Oswaldo Barbosa. Nessa época, todas as peças oriundas da Capela da Jaguara passaram a ocupar os locais onde hoje se encontram.

“Esta foto, sem crédito, mostra a fachada da Igreja que existiu até a grande reforma de 1904. Neste ano, além de ganhar as três portas frontais, foram introduzidos o altar, o coreto (em cima da porta principal) e os pulpítos de madeiras. Este acervo, pertencente ao Mestre Aleijadinho, foi presente do então superintendete da antiga Mineração Morro Velho, George Chalmers, que o trouxe da Fazenda da Jaguara, localizada no município de Matozinhos (MG). Parte frontal desta Igreja ainda permanece de pé. Em 7 de setemro de 1943, foram introduzidos os altares laterais e a Igreja, vista de cima, passou a ter forma de uma cruz. O adro, única parte preservada da reforma de 1904, também foi demolido, dando lugar à escadaria existente hoje.”
(Relato de Fernando Wardi dos Drumond Batista)
¹ Livro de Guardamoria existente no Arquivo Público Mineiro
² Patrimônio Histórico e Artístico Nacional

As Talhas da Jaguara

O conjunto ornamental incorporado à Matriz de Nossa Senhora do Pilar pertenceu à Capela de Nossa Senhora da Conceição, localizada na Fazenda da Jaguara, no município de Matozinhos/MG. Essa fazenda foi sede do vínculo de mesmo nome, instituído por Antônio de Abreu Guimarães, dono de um dos maiores patrimônios em Minas Gerais durante o último quartel do século XVIII.

O reinol Antônio de Abreu Guimarães comprou a Fazenda da Jaguara na segunda metade de século XVIII e logo expandiu suas propriedades. Chegou a abarcar mais de 1.200 alqueires e contava com centenas de escravos a seus serviços. Essa fabulosa riqueza foi adquirida através da sonegação de impostos e contrabando de ouro e diamantes. Arrependido dos crimes cometidos, Antônio de Abreu viajou para Portugal a fim de conseguir o perdão da Coroa. A Rainha D. Maria I concordou em conceder-lhe o indulto, desde que seus bens fossem colocados à disposição de obras com cunho religioso e de caridade.

Assim, suas propriedades foram “vinculadas” a uma promessa religiosa, que foi sacramentada através do decreto de D. Maria I datado de 4 de junho de 1787 e posteriormente regido por alvará de 23 de novembro de 1787. Na execução dessa promessa, foram realizadas a reforma e a ampliação da capela existente na fazenda, trabalho concluído em 1786. Para a execução das peças de talha e ornamentação, foi chamado Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.

Posteriormente, em 1802, a Junta Administrativa do Vínculo se estabeleceu, tendo como presidente Francisco de Abreu Guimarães. Por aquela época, Antônio de Abreu já havia retornado para Portugal, onde se dedicou integralmente à vida religiosa. Seus herdeiros, além de se recusarem a cumprir a execução das promessas do vínculo, dilapidaram o seu patrimônio. Em 1860, o vínculo foi extinto definitivamente. A Fazenda da Jaguara passou então para as mãos de Francisca dos Santos Dumont, mãe de Alberto Santos Dumont.

Mais tarde, em 1910, foi vendida para George Chalmers, diretor da Mina de Morro Velho desde 1884. Percebendo que o templo estava em péssimas condições de conservação e sem interesse em reformá-lo, George Chalmers decidiu doar o conjunto de talhas para a igreja matriz de Nova Lima, a pedido de Augusto de Magalhães, um dos sócios da Casa Aristides e líder dos vicentinos desta cidade e seu amigo particular.

As peças, depois de desmontadas, numeradas e encaixotadas, foram levadas a cavalo até Dr. Lund, onde havia uma estação ferroviária, para depois serem transportadas para Nova Lima. O próprio George Chalmers supervisiona todo o trabalho de minuciosa desmontagem das peças, de embalagem em palhas de milho e fardos de algodão e do transporte cuidadoso em carros de boi. Ele também veio a Nova Lima acompanhar a montagem do altar principal, altares laterais, púlpitos, coro e arco cruzeiro. Como a igreja não comportava os altares, foi realizada uma reforma, visando a sua ampliação, e, em 1926, foi reinaugurada com toda a talha integrada ao templo.

A igreja Nossa Senhora do Pilar tem este nome por ser a padroeira dos mineradores portugueses e espanhóis. Já os ingleses têm como padroeiro da mineração São João Batista que também é nome da igreja anglicana de Nova Lima – mas esta já é uma outra história.

BIBLIOGRAFIA
VILLELA, Bráulio Casalarde. Nova Lima – Formação Histórica. Belo Horizonte: Edição do Autor, 1994.
Atlas de Nova Lima/Texto Base página 12

 

Nossa Senhora do Pilar

O primeiro templo erguido na cidade de Nova Lima sob a invocação de Nossa Senhora do Pilar constituía-se de primitiva capela, de proporções pequenas e acabamento despojado, bem de acordo com o repertório formal das construções religiosas do início do século XVIII. Sua localização era próxima de onde hoje se encontra a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar.

Relatos orais contados até hoje falam de uma lenda que explicaria a origem desta edificação religiosa, bem como sua evocação a Nossa Senhora do Pilar. A título de curiosidade, transcreveremos a seguir o texto publicado, em 1974, no “Jornal Vale do Ouro”.

Há mais de 200 anos, vindos de Congonhas de Sabará, à procura de ouro, estabeleceram-se portugueses bandeirantes às margens do Ribeirão dos Cristais, onde encontraram abundância do mineral, formando aí um pequeno acampamento denominado Aldeia do Campo Formoso, a que hoje conhecemos como Praça do Bonfim, em cujo meio levantaram sua primeira igreja, dedicada a seu padroeiro Nosso Senhor do Bonfim.

Narra a tradição, ainda hoje transmitida religiosamente pelos antigos, que, entre os portugueses, destacava-se um, pelas suas grandes virtudes e alto espírito de caridade. Certo dia à cata de lenha, embrenhando-se na mata do lado de cá do ribeirão, encontrou uma moça de singular beleza que, de cima de uma grande pedra, o contemplava. Encontro inesperado, personagem desconhecida. Passado o primeiro instante de admiração e surpresa, a ela se dirigiu o português:

– Que fazes aí? Não temes a solidão e severidade da mata?
– Eu estou correndo minhas terras. São minhas estas terras; disse-lhe a moça.
O português, convicto de que o Brasil era de Portugal, retorquiu:
– Muito mais que suas são minhas essas terras. São minhas porque são de Portugal.
– Há muito ouro nestas minhas terras. Quero que mandes erguir aqui uma casa para mim.
– Mas, afinal, quem és tu? Por que queres uma casa aqui?
E a moça solenemente declarou:
Eu sou a Virgem do Pilar, e desapareceu.

Assombrado, o português voltou à aldeia e comunicou a seus companheiros o acontecido. Várias vezes o garimpeiro retornou ao local da aparição e pôde ainda ver a moça que ordenava a construção de sua igreja. Contam os antigos que existiu, há mais de cem anos no local pedido, uma capelinha humilde e tosca, coberta de capim, dedicada a Nossa Senhora do Pilar. Mais tarde, foi edificada a igreja que se transformou em Matriz da Freguesia de Nossa Senhora do Pilar de Congonhas do Sabará.

BIBLIOGRAFIA
VILLELA, Bráulio Casalarde. Nova Lima – Formação Histórica. Belo Horizonte: Edição do Autor, 1994.
Atlas de Nova Lima/Texto Base página 12


Comunidades Paróquias e as Pequenas Comunidades de Vida e Oração (PCVO)

Comunidades e Pequenas Comunidades de Vida e Oração(PCVO)S.

Comunidades

-SETOR NOSSA SENHORA DO PILAR

    • Comunidade Nossa Senhora do Pilar – Centro

Missas: Todos os dias

Horários das Missas

Segundas-feiras: 6h30min, 12h  e  Celebração da Palavra: 19 horas.

Terças-feiras: Celebração da Palavra 6h30min e Missa 19 horas.

Quartas-feiras: 6h30min e 19 horas.

Quintas-feiras: 6h30min e 19 horas.

Sextas-feiras: 6h30min e 15 horas.

Sábados: 6h30min, 15 horas e 19h30min.

Domingos: 7h, 9h e 19 horas.

    • Comunidade Nosso Senhor do Bonfim – Bonfim

MISSAS

Primeiras Sextas-feiras: 19 horas.

Domingos: 18horas

    • Comunidade São Sebastião – B. Cascalho

MISSAS  ou Celebração da Palavra

Sábados: 18horas

    • Comunidade Santa Bárbara – B. Vila Operária

MISSAS

segundo e quarto sábado de cada mês: 18h

– SETOR SÃO JOSÉ

    • Comunidade Nossa Senhora do Rosário – B. Rosário

MISSAS

Quartas-feiras: 19h.

Domingo: 10h .

    • Comunidade Imaculado Coração de Maria – B. Mina d’Água

MISSAS

Primeiros e Terceiros Sábados: 18h.

Missas todos os dias 28 de cada mês: às 19h30min.

    • Comunidade Sagrado Coração de Jesus – B. Mingú

MISSAS

Primeiros e Terceiros Sábados: 19h30min.

Missas todos os dias 28 de cada mês: às 19h30min – Devoção a São Judas Tadeu.

– SETOR SÃO TIAGO MAIOR

    • Comunidade Nossa Senhora das Graças – B. Matadouro

Missas ou Celebração da Palavra todos os sábados: 19h30min.

    • Comunidade Santa Cruz  – B. Cruzeiro

Missas nos primeiros e terceiros domingos de cada mês: 9 horas da manhã.

    • Comunidade Santa Terezinha – B. Montevidiu

Missas nos segundos e quartos domingos de cada mês: 9 horas da manhã.

      • Comunidade São Sebastião – B. Galo

Missas nos primeiros e terceiros domingos de cada mês: 7 horas da manhã.

  • PCVO  SANTO EXPEDITO

Missas todos os dias 19 de cada mês às 19h30min – local a definir em cada mês.